Saudade é a história em quadrinhos que conta as férias do Wolverine no Brasil. Quando anunciado o lançamento, o título deixou todos os fãs tupiniquins do mutante na expectativa. O argumento é interessante, porém, como a maioria das produções estrangeiras que tentam mostrar a “realidade” do nosso país tropical, tem alguns pontos que desagradam.
A grafic novel foi produzia e publicada na França por Jean-David Morva e Philippe Buchet. Lançada no final de 2006, na Europa, e recentemente no Brasil, pela Panini Comics, a história começa com o roubo da moto do Wolverine por três “trombadinha” – que estavam fugindo do “esquadrão da morte” local.
Apesar desses personagens, do cenário em favelas e dos morros, a trama percorre a cidade de Fortaleza (que segundo conhecidos meus de lá, é plana), no Nordeste. Porém, uma sacada interessante é a incorporação de elementos culturais, crenças e mistérios folclóricos no roteiro. Todos eles justificados dentro da lógica do universo mutante e do fator X.
Os maiores pontos negativos ficam por conta da caracterização dos personagens e dos clichês: os traficantes que dominam a cidade, a inexistência de polícia, a fé da população nos “milagreiros”, a caipirinha consumida como água e o Wolverine bonzinho.
Já a escolha do título se encaixa bem na história - a personalidade festeira do mutante protagonista acaba se envolvendo com um pequeno companheiro brasileiro. Saudade é uma palavra exclusiva da língua portuguesa – no inglês, por exemplo, existe o I miss you, porém não significa literalmente saudade.
Vale a pena conferir de “como seria” essa visita. Mas, mesmo assim, em muitos momentos, os verdadeiros fãs do Wolverine podem sentir muita saudade da animalidade original do mutante das garras de adamante.
E se o Orkut fosse voltado exclusivamente para a música? Ele seria o Last.fm – The social music revolution - http://www.lastfm.pt/ - Agora em versão brasileira.
O Last.fm é um site de relacionamentos, onde as comunidades são os gostos musicais. Tem de tudo mesmo: rock, pop, raggae, samba, indie, folk... O sistema de busca funciona pelo nome do artista, música ou tags. Você também pode montar uma rádio com seus interesses musicais, recomendar canções para os amigos e participar de “shows” exclusivos. Tudo isso totalmente em alta qualidade e di grátis! O único problema é se você não tem uma conexão de alta velocidade.
Já que a religiosidade está em alta com a eminente visita do Papa Bento XVI, nada melhor que conhecer (de uma forma bem humorada) as histórias e os preceitos católicos. No blog Jesus, me chicoteia!, além de muita informação em forma de diversão e vice-versa, tem uma parte interessante: a Bíblia Sacaneada.
Trecho do Gênesis:
A CRIAÇÃO
No princípio criou deus o céu e a terra. Deus existiu desde sempre, mas sem consciência disso. Sua existência era um sono povoado por sonhos difusos. Mas uma vez ele teve um sonho muito claro: sonhou que tinha criado a luz, o céu, a terra, o sol,
a lua, as estrelas, os mares, os peixes, os animais terrestres, as aves, o homem e a mulher. E viu que tudo era bom. O sonho foi tão intenso e tão surpreendente para quem vivia no meio do Nada absoluto, que ele chegou a entreabrir os olhos. Ao fazê-lo, percebeu que tudo havia se realizado. Sem entender o que estava acontecendo, pensou "Só me faltava essa...", virou pro outro lado e voltou a dormir. E o resto vocês já sabem, tá lá, dormindo até hoje. Ou então: ele acordou com uma música muito chata na cabeça e decidiu, "Melhor eu fazer alguma coisa, tô ficando irritado com essa merda".
Sou católico apostólico romano, praticante e com passagem por seminário. Mesmo assim achei muito bom o trabalho apresentado e com um humor sagaz – além disso, o cara teve que ler a Bíblia inteira para poder contar as histórias de outra ótica, quer prova maior de fé?
O fotógrafo espanhol Chema Madoz produz uma arte inusitada. Através da montagem dos elementos, ele expõe com simples objetos os vários ciclos da natureza e os detalhes presentes do dia-a-dia das pessoas. Visite o seu site - http://www.chemamadoz.com/home.htm - e clique na foto abaixo para conferir uma galeria de imagens de Madoz.
A fantasia sempre é associada aos sinônimos de escapismo, da fuga da realidade. Em todas as suas formas é um refúgio, uma proteção contra os problemas ou simplesmente uma alternativa para um mundo chato. Com esses elementos, o diretor Guilherme Del Toro (o mesmo de Hellboy, 2004) cria na tela com O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006) uma história cativante, digna dos chamados contos de fadas.
O cenário principal é a Espanha, no final da Guerra Civil. Alguns rebeldes ainda combatem nas montanhas ao norte de Navarra. Ofélia (Ivana Baquero), de 10 anos, vai para a região com a sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Elas ficam abrigadas aos cuidados do novo padrasto, Capitão Vidal (Sergi Lópes) - um oficial fascista, que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade.
Sem se dar conta dos conflitos ao redor, a pequena Ofélia vaga por um bosque, ao redor de onde mora, e encontra ruínas antigas. Lá ela se depara com criaturas só conhecidas em seus livros e uma missão: provar ser a princesa que o Fauno guardião das ruínas procura. Além disso, a menina ainda precisa lidar com um padrasto tirano e o envolvimento com uma rebelde infiltrada em sua casa.
Apesar do argumento parecer comum às fábulas infantis, o filme lembra em muitos momentos casos de terror. A falta de piedade na violência dos soldados para com os rebeldes e as criaturas fantásticas, que vêem nos humanos um lanche em potencial, não seriam aconselháveis para uma história antes de dormir. Além disso, cenas chocantes de espancamento e mutilações completam esta parte.
Entre todas as referências aos contos de fantasia, as da Alice de Lewis Carrol são as mais perceptíveis. Isso se estende desde a protagonista ser uma menina, que tem contato com um mundo paralelo habitado por seres fantásticos, até o vestido e fita ao mesmo estilo das ilustrações original da obra de Carrol. Mas isto não torna o filme uma adaptação, graças aos outros elementos, bem salpicados, como se fossem ingredientes em um caldeirão de bruxa.
A transposição de madrasta-bruxa má (lembram da Branca de Neve?) para padrasto malvado e general fascista sem escrúpulos piora muito mais as coisas, pois a ameaça é real e é perigosa até com uma garrafa. Assim fica fácil a pequena Ofélia não ter medo do aspecto do Fauno, de entrar numa toca cheia de insetos, encarar um sapo gigante e roubar comida no banquete do “homem pálido”.
O filme brinca em muitos momentos com a questão do que é real ou apenas a imaginação da menina. Os dois mundos, regidos por suas próprias regras, exercem influência um no outro. E, mesmo com a ajuda da fantasia, as coisas podem ser muito complicadas, mesmo quando a inocência de Ofélia não é párea à falta de escrúpulos dos homens do mundo real.
O expectador não pode esperar uma história do estilo Disney de um longa que foge de todos os padrões hollywoodianos. Mesmo com três estatuetas do Oscar®, O Labirinto do Fauno não recebeu as devidas atenções das salas de cinema brasileiras, sendo renegado aos poucos festivais de cinema do país. Uma punição injusta, para um filme que só quer mostrar a realidade de quem fantasia por um mundo melhor.
A língua e o conto são contemporâneos em nosso mundo. A mente humana, dotada dos poderes de generalização e abstração, não vê apenas grama verde, discriminando-a de outras coisas (e contemplando-a como bela), mas vê que ela é verde além de ser grama. Mas quão poderosa, quão estimulante para a própria faculdade que a produziu, foi a invenção do adjetivo: nenhum feitiço ou mágica do Belo Reino é mais potente.
E isso não é de surpreender: tais encantamentos de fato podem ser vistos apenas como uma outra visão dos adjetivos, uma parte do discurso numa gramática mítica. A mente que imaginou leve, pesado, cinzento, amarelo, imóvel, veloz também concebeu a magia que tornaria as coisas pesadas leves e capazes de voar, transformaria o chumbo cinzento em ouro amarelo e a rocha imóvel em água veloz.
Se era capaz de fazer uma coisa, podia fazer a outra, e inevitavelmente fez ambas. Quando podemos abstrair o verde da grama, o azul do céu e o vermelho do sangue, já temos o poder de um encantador em um determinado plano, e o desejo de manejar esse poder no mundo externo vem a nossa mente. Isso não significa que usaremos bem esse poder em qualquer plano.
Podemos pôr um verde mortal no rosto de um homem e produzir horror, podemos fazer reluzir a rara e terrível lua azul, ou podemos fazer com que os bosques irrompam em folhas de prata e os carneiros tenham pelagem de ouro, e pôr o fogo quente no ventre de um réptil frio.
Mas numa “fantasia”, tal como a chamamos, surge uma nova forma: o Belo Reino vem à tona, o Homem se torna subcriador. Assim, um poder essencial do Belo Reino é o de tornar as visões da “fantasia” imediatamente efetivas através da vontade.