Junte a lógica de Rubem Fonseca, com a seriedade de Mário Prata e complete com um pouco da influência da narrativa de Zuenir Ventura. Com um argumento baseado num sonho (daqueles que se tem a noite), coloque tudo dentro de um feriadão prolongado, ao ritmo do ócio criativo. E assim você terá um conto “devanoso” e um tanto quanto divertido. Porque...
O vento quente daquele final de tarde agitava os cabelos rebeldes de Joe. Pela Avenida Atlântica, que beira o mar ao longo de Balneário Camboriú, a única preocupação do descabelado era desviar dos outros carros a sua frente, quando eles paravam para estacionar. Se bem que “outros carros” não seria uma classificação apropriada, já que o que ele dirigia era um Fusca conversível, ano 76.
O veículo poderia ser confundido com uma ambulância, por sua cor branca, mas o modelo não permitia isso. Impecável de limpo, ainda ostentava as calotas e pára-choques cromados como se fossem de prata. Estofamento interno macio, intacto e preto, da mesma cor da capota que descansava dobrada na parte de trás. Uma verdadeira relíquia, recém reformada e comprada.
Não teria preço, caso não fossem as 24 parcelas do consórcio que Joe teve que pagar. O valor simbólico que essa aquisição tinha superava qualquer cifra de seis casas de uma Ferrari. E, nem mesmo o ronco de uma dessas carruagens rubras, que o ultrapassou em uma lombada, tirou a alegria do intrépido motorista do Fusca. Não havia preocupações.
O fluxo na estrada seguia calmamente, até que o movimento cessou. No primeiro momento, Joe ligou o congestionamento ao grande número de turistas da data. Mas, quando as buzinadas frenéticas atrás dele pararam, ele viu que havia algo errado. Todos os motoristas haviam saído de seus carros e olhavam em direção ao oceano.
No horizonte, uma montanha de água se ergueu. E como se fosse um tecido se rasgando, o mar se abriu e surgiu um enorme corpo reptiliano. Parecia pequeno, mas, na medida em que os passos se aproximavam, cada vez mais estrondosos, mais a figura aumentava.
Joe já havia visto aquele lagarto superdesenvolvido em algum lugar, mas não ao vivo. Bípede, com duas patas dianteiras curtas, lembrava um dinossauro... era o Godzilla. O famoso monstro nipônico, criado através da radiação nos mares orientais, era astro de muitos filmes. E o dono do Fusca pensou se não foram os últimos testes nucleares da Coréia do Norte que criaram esse que vinha em sua direção.
Então as guarnições armadas chegaram e começaram a retalhar a criatura, que já havia devorado oito quiosques que vendem churros. Por precaução ou medo, os soldados ficaram no lado contrário ao mar da rua e dispararam seus tiros. E todas as pessoas que ali estavam tiveram que sair. Mas Joe não queria, sem o seu carro, ou melhor, o Fusca.
Joe viu que era impossível tirar seu veículo do meio daquele engarrafamento e, com um pouco de amor pela vida, resolveu se esconder embaixo do Fusca até o pequeno grande impasse terminar. Não antes de fechar a capota e erguer as janelas. Teria ligado o alarme, caso tivesse instalado um.
E uma bomba explodiu sobre o carro que estava ao lado, fazendo os destroços serem arremessados para todos os lados, inclusive na lataria branca do Fusca. Joe nem quis ver o estrago, só se escondeu sob seus braços e pensou se conhecia alguma chapeação para o polimento.
A munição, assim como os quiosques de churros, estava terminando. Enquanto o desespero começara a brotar nas pessoas que viram isso, o sentimento de alívio pela diminuição de explosões e disparos, que pudessem estragar sua última aquisição, aflorou em Joe. Tudo parecia estar a salvo, pelo menos para o Fusca, apesar de alguns arranhões na lataria.
Quando, numa aparição repentina, com direito a um show pirotécnico, surge sobre o mais alto prédio da cidade a solução de todos os problemas. Aquele que não lê livros, tortura eles até que lhe passe as informações. O protagonista de Walker, Texas Ragers. A lenda viva. Chuck Norris.
Num único pulo, direto para a moleira de Godzilla, Chuck Norris desferiu seu fantástico Roundhouse Kick. Com a potência do golpe, Norris transforma o monstro em poeira. Mas a força do impacto desencadeia uma onda de energia, que curvou árvores, fez a areia se misturar com o pó da criatura e arremessou carros e o Fusca ao longe.
Este último abraçou o primeiro poste que encontrou no caminho, num emaranhado de ferros retorcidos tal qual um novelo de lã. Quando a nuvem de poeira baixou, todos os cidadãos ovacionaram o guerreiro lendário, que, num outro pulo, foi atender outro caso em outra parte do mundo. E mais uma vez Chuck Norris salvou todos nesse dia. Só não o Fusca, que não tinha seguro.
Joel Minusculi
Que prefere andar a pé ao longo da Avenida Atlântica
Felicidade. Acredito que ela só seja possível quanto se encontra o equilíbrio das coisas. Porque ela é o desfrutar total de algo, sem preocupações posteriores ou periféricas. A atenção àquilo que gostamos é tudo nesse sentido.
Tenho convicção absoluta que ela é algo que conquistamos por nós mesmos e que ela não é apenas “momentos”, pois isso seria muito fútil para um sentimento tão nobre. A felicidade seria um objetivo a ser alcançado, diante de todas as provações.
Mas esta é uma particularização, de algo que é próprio de cada um. Não como aqueles livros que prometem auto-sucesso e auto-ajuda, ditando jeitos e modos padrões para encontrar a felicidade.
Nem muito menos direi onde você pode encontrar. Mas eu desfruto no papo informal com os amigos, no reconhecimento do esforço, com a tranqüilidade financeira (mesmo com aqueles abonados que dizem que dinheiro não traz felicidade...) ou quando a conversa flui com aquelas pessoas que consideramos especiais...
Agora, chega dessa ladainha. O motivo deste post é a indicação de dois textos legais que encontrei na edição online da revista Trip. O tema? Felicidade! O primeiro é “Só os cafonas são felizes”, escrito por Carlos Nader. O segundo é a matéria de capa da revista, “Felicidade não existe”, assinada por Silvana Assumpção. Confira nos links abaixo.
E se o mundo todo fosse povoado por apenas 100 pessoas, nas mesmas proporções socioeconômicas que se têm com as mais de 6 bilhões? Esta é a idéia norteadora do Miniature Earth. O tema, que surgiu em 2001 no texto de Donella Meadows - State of village Report -, foi apresentado num projeto para a Organização das Nações Unidas (ONU). O intuito não foi somente apresentar os números, que podem sofrer alterações com o tempo, mas demonstrar tendências que não permitem o desenvolvimento humano.
A idéia é muito boa, pois a maior parte da humanidade não tem noção quando se apresentam números em altas proporções. Como um dos princípios básico do jornalismo é fazer a equivalência de dados, essa “compactação” da humanidade leva o pensar num modo mais pessoal. Apesar de pequenos deslizes para a língua portuguesa na versão do site oficial, como “mussulmanos”, a mensagem é bem explicita e vale a pena passar para frente.
Inicialmente retratado como um curumim meio endiabrado, não se diferenciava muito das crianças indígenas, com duas pernas e de cor morena, com a diferença de possuir um rabo.
No norte do Brasil, a Mitologia Africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também da Cultura Africana o pito, uma espécie de cachimbo, e da Mitologia Européia, herdou o pileo, um gorrinho vermelho.
É considerado uma figura brincalhona, que diverte-se com os animais e pessoas, criando dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assobios. O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII. O saci não tem amigos, vivendo solitário nas matas.
A lenda diz que o Saci está nos redemoinhos de vento, e que pode ser capturado jogando-se uma peneira sobre estes. Deve-se então retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência, guardando o Saci em uma garrafa. A lenda também diz que os sacis nascem de gomos de bambus, eles ficam dentro do gomo durante sete anos, e depois saem para viver mais setenta e sete anos e quando morrem se transformam em cogumelos venenosos ou orelhas de pau.
Um teste muito bacana, em que você pode comparar a sua personalidade, através de um pequeno questionário (em inglês), com os principais heróis dos quadrinhos. É só clicar no link que está abaixo do meu resultado:
You are Spider-Man
Spider-Man
80%
The Flash
65%
Green Lantern
65%
Hulk
60%
Robin
52%
Superman
50%
Wonder Woman
40%
Supergirl
30%
Catwoman
30%
Iron Man
25%
Batman
20%
You are intelligent, witty, a bit geeky and have great power and responsibility.
O espetáculo político das eleições finalmente chegou ao seu gran finale. Mesmo depois dos primeiros atos, como o malabarismo de ideologias, o tango das coligações e o espetacular show de cabos-eleitorais-marionetes, o público pediu bis: e teve o segundo turno.
Então os astros principais, com direito ao conjunto terno-gravata e muitas bravatas, fizeram de tudo para disputar o holofote. Com discursos ao tom de rugido de leões, e com a cara de pau de palhaços, esses personagens políticos queriam se tornar narradores da história de uma nação brasileira.
Mas a crônica do cotidiano do país só pode ter um autor. E, como num vício crônico de uma tragédia grega, de dois concorrentes surgiu um duelo. Sem armas bélicas ou brancas, as investidas eram com ditos, convertidos em dados, impressos em papéis, que algumas vezes formavam dossiês.
A platéia de eleitores acompanhou atenta e atônita os dois contendores durante os recitais de promessas. Politicólogos se tornaram narradores dessa farra. E, com a ajuda das manchetes, até aqueles que estavam e eram de fora ficaram atentos para quem conseguisse a mágica de tirar o maior número de votos das urnas.
Assim a maioria decidiu manter o protagonista da novela do Planalto Central, sempre na esperança que os próximos capítulos sejam melhores que os anteriores. Se assim não for, o espetáculo político das eleições pode voltar antes da próxima temporada nacional, com quem sabe o povo subindo ao palco, com direito à “caras pintadas” e tudo o mais que sempre deve haver.
Você acabou de acordar de um coma de 10 anos e não sabe o que aconteceu nas eleições? Então seus problemas acabaram! É só visitar o site da Justiça Eleitorale conferir todos os números do primeiro e segundo turno das eleições, tanto para presidentes quanto para governador. Clique no link abaixo para o acesso direto: